Adriana Calcanhotto, que completou 60 anos em 3 de outubro de 2025, possui uma trajetória marcada por raízes e antenas, com estas últimas frequentemente se sobressaindo. Sua carreira de 35 anos enriqueceu a música popular brasileira.
Um dos mergulhos mais profundos da artista em suas raízes é o álbum ao vivo “Loucura” (2015), dedicado ao repertório de Lupicínio Rodrigues, seu conterrâneo gaúcho. No entanto, mesmo nesse trabalho, ela demonstra sua inclinação à inovação ao fundir o universo de Lupicínio com o funk carioca em “Cenário de Mangueira”.
Seja sozinha ao violão ou acompanhada por uma banda, em estúdios ou palcos, Calcanhotto construiu um repertório que harmoniza a autora com a intérprete de canções de outros compositores.
Sua contemporaneidade, erudição, apreço pela literatura e poesia, juntamente com seu gosto refinado e sensibilidade apurada, estão presentes em suas obras.
Calcanhotto alcançou sucesso com sua versão acústica de “Devolva-me”, de Renato Barros e Lilian Knapp. Em 2011, demonstrou seu talento autoral com “Micróbio do Samba”, álbum de estúdio que se transformou em show e disco ao vivo.
Em 2004, sob o heterônimo Adriana Partimpim, aventurou-se no universo infantil, experiência que repetiu em outras ocasiões.
Destaca-se a trilogia formada pelos álbuns “Maritmo” (1998), “Maré” (2008) e “Margem” (2019), conhecida como a trilogia do mar. Em “Maritmo”, reverencia Dorival Caymmi ao interpretar “Quem Vem Pra Beira do Mar”.
A última apresentação ao vivo de Adriana Calcanhotto que o autor presenciou foi pouco antes da pandemia, com o show “A Mulher do Pau-Brasil”, que evocava tanto os modernistas de 1922 quanto os tropicalistas de 1968, além de sua passagem pela Universidade de Coimbra.
Fonte: jornaldaparaiba.com.br