Em depoimento exclusivo à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, a ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), Tonia Galleti, revelou ter alertado autoridades do Ministério da Previdência e do próprio INSS sobre indícios de fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas desde 2019.
Segundo Galleti, coordenadora do departamento jurídico do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), as denúncias surgiram a partir de reclamações de associados sobre abordagens de outras entidades e afiliações não autorizadas. Ela relatou casos de sócios que, ao utilizarem os serviços do Sindnapi, descobriam estar filiados a outras instituições, inclusive diretores que foram transferidos para associações desconhecidas sem assinatura de documentos.
A ex-conselheira alegou ter solicitado a inclusão do tema dos descontos associativos na pauta de uma reunião do CNPS em 2023, mas a discussão não ocorreu. Ela destacou que a Polícia Federal (PF) investiga um aumento expressivo nos descontos associativos na folha de pagamento de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024, saltando de 18.690 para 1,4 milhão.
Questionada sobre a presença do ex-ministro da Previdência, Carlos Luppi, nas reuniões do conselho, Galleti confirmou a presença do ministro e afirmou ter alertado também o ex-diretor de benefícios do INSS, José Carlos Oliveira. Ela relatou que, após suas denúncias, foram abertos procedimentos para investigar algumas entidades e a Polícia Federal foi informada.
O relator da CPMI questionou o crescimento do Sindnapi a partir de 2019, com a parceria da entidade com a corretora de seguros CMG, ligada ao Banco BMG, apontando que o número de filiados cresceu rapidamente. A entidade está sendo investigada por supostas fraudes em pensões e aposentadorias. Galleti afirmou que o crescimento do Sindnapi foi “orgânico” e que o sindicato nunca fraudou documentos de filiados.
O relator também questionou repasses de recursos a familiares de Tonia por meio de empresas e consultorias prestadas ao Sindnapi, alegando que a família recebeu mais de R$ 20 milhões. Tonia rebateu, afirmando que os trabalhos foram prestados e não havia impedimento legal.
Galleti criticou o que considera uma tentativa de desmoralizá-la e afirmou que sua família trabalhou para receber os valores. Ela possui um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que lhe dá o direito de não responder a perguntas que possam incriminá-la.
Além do depoimento de Galleti, a CPMI também ouve o ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Felipe Macedo Gomes, identificado como operador de um esquema de fraudes no INSS que movimentou mais de R$ 1,1 bilhão entre 2022 e 2024.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br