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Daniela foi recrutada por um suposto empregador que ofereceu vaga de telemarketing internacional,...
Daniela foi recrutada por um suposto empregador que ofereceu vaga de telemarketing internacional,...

Daniela Marys de Oliveira, cidadã brasileira, enfrenta um julgamento na próxima quinta-feira (23) no Camboja, acusada de tráfico de drogas. A família da jovem alega que ela foi vítima de tráfico humano, atraída para o país sob falsas promessas de emprego. Segundo a mãe, Myriam Marys, Daniela foi recrutada com a oferta de uma vaga em telemarketing internacional, com contrato de um ano e garantia de retorno ao Brasil.

A família relata que Daniela foi presa após a descoberta de uma quantidade não especificada de drogas no banheiro da residência onde morava. A brasileira nega as acusações e afirma que as drogas foram plantadas no local após ela se recusar a participar de um esquema de golpes online. Ela teria implorado por um teste toxicológico, que não foi realizado.

De acordo com a legislação cambojana, a pena para tráfico de drogas varia de 2 a 20 anos de prisão. A Anistia Internacional, em um relatório sobre a política de combate às drogas no Camboja, destaca que o país possui outras classificações criminais relacionadas a entorpecentes, como posse (2 a 5 anos, podendo chegar a 10 em caso de reincidência) e consumo (1 a 6 meses, até 1 ano em caso de reincidência, aplicável a indivíduos em tratamento compulsório).

O Brasil, signatário do Protocolo de Palermo, se comprometeu internacionalmente a combater o tráfico de pessoas. O protocolo estabelece que o consentimento da vítima é irrelevante se obtido por meio de fraude, coação ou abuso de poder. Organismos internacionais reconhecem que, mesmo que Daniela tenha concordado em ir para o Camboja, ela ainda pode ser considerada vítima de tráfico humano se sua decisão foi baseada em engano ou exploração.

A Anistia Internacional aponta que o Camboja enfrenta problemas com direitos humanos e superlotação de prisões. A mãe de Daniela relatou que sua filha está detida em uma cela superlotada, dividindo o espaço com cerca de 90 outras mulheres. O relatório da Anistia Internacional denuncia que as autoridades cambojanas frequentemente visam pessoas pobres e marginalizadas, realizando detenções arbitrárias e submetendo suspeitos a tortura e outros maus-tratos.

Fonte: jornaldaparaiba.com.br

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