Um novo documentário, intitulado “Herzog – O Crime que Abalou a Ditadura,” chega ao público, reconstituindo os eventos que levaram à morte do jornalista Vladimir Herzog, ocorrida há 50 anos. O filme explora a trajetória do jornalista, professor e cineasta, que foi torturado e assassinado por agentes durante o regime militar.
A produção, do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), apresenta depoimentos de amigos, colegas de trabalho e familiares de Herzog, buscando compreender a comoção nacional gerada por sua morte e sua transformação em símbolo da luta pela democracia no Brasil. A diretora executiva de conteúdo do ICL, Márcia Cunha, explica que a produção foca no período que antecedeu e sucedeu o crime, revelando as motivações, os eventos e as consequências para o país.
O filme destaca a farsa do suicídio divulgada pelos agentes da ditadura, que contribuiu para que o caso se tornasse um marco da resistência e da luta pela liberdade de imprensa. Uma das preocupações da produção foi apresentar a história de uma forma que despertasse o interesse de novas audiências, trazendo novos elementos para uma narrativa já contada diversas vezes.
Para superar a falta de imagens da época, o documentário utiliza storyboards com estilo de histórias em quadrinhos para recriar momentos cruciais, como a chegada dos agentes da repressão à Cultura e os relatos de companheiros de cela. Os desenhos foram feitos pela artista Paula Villar, com base em relatos e na iconografia disponível.
O documentário também examina a divisão existente dentro do regime militar em relação à continuidade da ditadura, evidenciada pela repercussão do crime. A diretora do ICL afirma que o impacto foi tão grande que as diferentes linhas de pensamento dentro do governo militar se intensificaram, influenciando o processo de abertura política.
Além do documentário, o ICL lança o podcast “Caso Herzog – A foto e a farsa”, que detalha a produção da famosa foto do jornalista enforcado, utilizada para sustentar a versão de suicídio. O episódio também estará disponível no canal do ICL no YouTube e em todas as plataformas de áudio.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br