O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, é alvo de um inquérito da Polícia Federal (PF) que apura uma possível ligação com uma facção criminosa durante o processo eleitoral municipal de 2024. A PF confirmou a abertura do inquérito, mas não forneceu detalhes sobre a investigação em andamento.
O inquérito foi aberto após um pedido do Ministério Público Federal (MPF), através da Procuradoria Regional Eleitoral na Paraíba (PRE-PB), ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). O juiz-relator Bruno Texeira de Paiva acatou o pedido, autorizando a PF a investigar o prefeito devido a indícios de interferência nas eleições do ano passado.
Um documento judicial de agosto, ao qual foi concedido acesso, reconhece a insuficiência de elementos para uma denúncia formal contra Cícero Lucena, mas destaca que o conjunto de provas apresentadas pela PRE-PB “ultrapassam o campo da mera suspeita”, justificando a necessidade de investigação.
As suspeitas recaem sobre crimes eleitorais e comuns, incluindo corrupção eleitoral, coação eleitoral, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, e peculato.
A investigação contra o prefeito tem como base os resultados da “Operação Território Livre”, realizada no ano anterior para combater o aliciamento violento de eleitores. A primeira-dama de João Pessoa, Lauremília Lucena, foi presa anteriormente por suposta participação em um esquema de organização criminosa. Em setembro, ela e outros oito investigados se tornaram réus por corrupção eleitoral.
As investigações apontam que a facção Nova Okaida controlava bairros, restringindo a livre manifestação política e o voto dos moradores. O grupo utilizava violência e intimidação para cooptar eleitores e candidatos, supostamente recebendo cargos e vantagens na Prefeitura de João Pessoa em troca.
O juiz determinou o desmembramento do inquérito, remetendo parte do procedimento ao 1º grau de jurisdição para investigação dos demais envolvidos que não possuem foro especial.
Fonte: jornaldaparaiba.com.br