O ativista cultural Anchieta Maia, faleceu aos 72 anos, após uma longa batalha contra diabetes e câncer. Maia, conhecido por sua coragem e inteligência, construiu uma trajetória marcante desde suas origens humildes no bairro da Torre.
Na década de 1970, Maia já demonstrava seu talento como agitador cultural. No Colégio e Curso União, onde atuava como responsável pelo centro cívico, Maia organizava eventos e inspirava alunos. Sua trajetória foi marcada pela ousadia, inclusive ao assumir sua homossexualidade em um período de grande preconceito.
Em 1978, Maia protagonizou um episódio notável: a tentativa de trazer Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, para um encontro com os estudantes do colégio. Dom Hélder, conhecido por sua luta em defesa dos direitos humanos e crítico do regime militar, era um alvo constante da repressão.
Maia, acompanhado por um professor e outros estudantes, viajou até Recife para entregar o convite pessoalmente. O encontro revelou a simplicidade e a firmeza de Dom Hélder, que vivia modestamente. Apesar do desejo dos estudantes, o arcebispo recusou o convite, justificando que não queria expor outros jovens aos riscos que já enfrentava o estudante Cajá, preso em Pernambuco por sua ligação com Dom Hélder.
A recusa de Dom Hélder, embora frustrante para o grupo, reforçou a convicção de que a prisão de Cajá era uma represália política. A viagem proporcionou um encontro inesquecível, marcando a vida dos estudantes pela experiência de conhecer um homem de fé e coragem.
Fonte: jornaldaparaiba.com.br