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© Tomaz Silva/Agência Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O uso irrestrito da força letal por parte da polícia como estratégia de segurança no Brasil tem, paradoxalmente, gerado mais violência e insegurança, ao invés de aumentar a segurança das cidades brasileiras. Esta é a conclusão do diretor da organização não governamental Human Rights Watch no Brasil, César Muñoz.

A Human Rights Watch divulgou, nesta quarta-feira (4), o seu Relatório Mundial 2026, que analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países. No relatório, são apresentados dados alarmantes sobre a atuação das forças de segurança no Brasil, destacando o aumento da letalidade policial.

Relatório Mundial 2026: dados alarmantes

Os dados compilados no relatório indicam que, entre janeiro e novembro de 2025, forças policiais mataram 5.920 pessoas no Brasil. Além disso, o relatório revela que brasileiros negros têm três vezes e meia mais probabilidade de se tornarem vítimas em comparação aos brancos. A operação mais letal da história do Rio de Janeiro, conhecida como Operação Contenção, resultou em 122 mortes em outubro do ano passado, nos Complexos da Penha e Alemão, visando capturar lideranças da facção Comando Vermelho.

Impacto na saúde mental dos policiais

Em 2025, 185 policiais foram mortos, segundo dados do Ministério da Justiça, enquanto outros 131 cometeram suicídio. A Human Rights Watch destaca que a taxa de suicídio entre policiais é significativamente mais alta do que na população em geral, refletindo a exposição desses agentes à violência e o apoio inadequado à sua saúde mental. Muñoz enfatiza a necessidade de propostas baseadas em ciência e dados para desmantelar grupos criminosos e investigar de forma independente os vínculos entre criminosos e agentes do Estado.

Corrupção e desconfiança

Muñoz afirma que a letalidade policial permanece alta devido à falta de investigações adequadas dos casos de morte decorrente de intervenção policial. Ele criticou a falta de independência da perícia, que é subordinada à Polícia Civil. Além disso, a corrupção dentro das forças de segurança pública alimenta a desconfiança das comunidades em relação às autoridades, dificultando a denúncia e investigação de crimes.

O papel da corrupção no fortalecimento do crime organizado

Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), afirmou que “polícias violentas e polícias corruptas fortalecem a ação do crime organizado”. Ela destacou que as facções criminosas se expandiram no Brasil devido à corrupção do Estado e enfatizou a necessidade de investir em mecanismos de controle da atividade policial, com o Ministério Público desempenhando um papel crucial na investigação dos casos.

Para Bueno, “uma polícia violenta não é uma polícia forte, é uma polícia frágil que fica vulnerável ao crime organizado”. Ela ressalta que o uso da força pela polícia deve ser para proteger a si mesma e a terceiros, mas sem justificar execuções sumárias e abusos.

No encerramento do relatório, Muñoz reforça que, embora algumas ações policiais possam ser consideradas legítima defesa, muitas são execuções extrajudiciais, o que demanda uma reforma urgente na estratégia de segurança pública no Brasil.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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