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© Fernando Luiz Venâncio/Arquivo pessoal
© Fernando Luiz Venâncio/Arquivo pessoal

O Brasil se destaca no cenário internacional com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), reconhecido pela ONU como um dos maiores e mais eficazes projetos do gênero no mundo. A iniciativa, que completa 70 anos, ganhou notoriedade a partir de 2009, com a implementação de uma legislação que priorizou refeições nutritivas em detrimento de alimentos processados nas escolas.

Essa mudança transformou a rotina de profissionais como Fernando Luiz Venâncio, que deixou a metalurgia para se dedicar à cozinha. Hoje, ele lidera a equipe responsável por preparar as três refeições diárias para mais de 400 alunos de uma escola de ensino médio integral. O cardápio inclui pratos como baião de dois e creme de galinha, este último feito sem creme de leite ou queijo, atendendo às restrições alimentares dos estudantes.

A elaboração dos cardápios é feita por nutricionistas, que seguem as diretrizes de uma lei que exige o atendimento às necessidades nutricionais, a valorização da cultura local, o uso de alimentos preparados na escola, a restrição de ultraprocessados e a compra de pelo menos 30% dos alimentos da agricultura familiar.

Essa exigência impulsiona a economia local, como demonstra a experiência de Marli Oliveira, agricultora familiar que destina 30% de sua produção para a merenda escolar. A venda garantida para as escolas faz a diferença na vida de pequenos agricultores, cuja renda depende da agricultura. Um estudo do Observatório da Alimentação Escolar (OAE) revelou que cada R$ 1 investido pelo Pnae na agricultura familiar gera um crescimento de R$ 1,52 no PIB agrícola e R$ 1,66 no PIB pecuário.

O sucesso do Pnae inspirou outros países, como São Tomé e Príncipe, que receberam apoio técnico do Brasil para aprimorar seus programas de alimentação escolar. Atualmente, o Pnae atende 40 milhões de estudantes em todo o país, da creche à Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Apesar dos avanços, o Pnae enfrenta desafios como o orçamento limitado e a falta de estrutura em algumas escolas. Quase metade dos nutricionistas relatam dificuldades para cumprir as exigências nutricionais do programa devido a esses obstáculos. No entanto, especialistas defendem que o Pnae é um programa pedagógico de promoção à saúde, fundamental para a formação de hábitos saudáveis e para a melhoria do ensino-aprendizagem.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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