Quase 4 mil mulheres reunidas em Brasília, na 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM), entoaram em uníssono a canção “Maria, Maria”, um tributo à força e resiliência feminina no país. O encontro, que teve como tema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”, focou em debates sobre desigualdades sociais, econômicas e raciais, empoderamento feminino em posições de poder, combate à violência de gênero e políticas de cuidado.
Um conceito central disseminado durante a conferência foi o de “mulheridades”, visando destacar a diversidade de identidades e experiências das mulheres brasileiras. Representantes de diversos grupos, como mulheres negras, com deficiência, LBTs, indígenas, quilombolas, jovens, idosas, mães atípicas, mulheres do campo e da cidade, ciganas, migrantes e refugiadas, marcaram presença, cada qual defendendo suas causas específicas.
Participantes de diversas regiões trouxeram suas perspectivas. Mayara Alice Zambon, de Jundiaí (SP), defendeu o respeito à diversidade e ao feminismo interseccional. Dalvilene Cardoso, enfermeira e integrante do coletivo de mulheres com deficiência do Maranhão, clamou pelo fim da jornada de trabalho 6×1, combate à violência de gênero e valorização da profissão de cuidadora. Vanessa Cornélio, produtora cultural de São José do Rio Preto (SP), denunciou o capacitismo e a infantilização enfrentados por pessoas com deficiência. Magna Caibé, indígena da Bahia, repudiou a violência masculina como fenômeno cultural. Maria Elisângela Santos, professora de Aracaju, exigiu igualdade racial e questionou as disparidades salariais entre mulheres negras e homens brancos.
Ana Eva dos Santos, estudante de direito, compartilhou sua experiência como mulher trans e voluntária em um projeto de acolhimento LGBTQIA+. Iyá Nifá Ifálere, sacerdotisa de umbanda de Cuiabá, reivindicou respeito às mães de axé. Cristiana Rocha Diniz, secretária da Mulher de Tutóia (MA), expôs a falta de recursos para proteger mulheres vítimas de violência em seu município.
Apesar das diversas perspectivas, um consenso uniu as participantes: a necessidade de igualdade e equidade de gênero, combate à violência e ao racismo, acesso universal às políticas públicas e participação ativa das mulheres em todas as etapas da formulação dessas políticas.
As propostas debatidas e votadas durante a conferência servirão de base para o aprimoramento do Plano Nacional de Políticas Públicas para Mulheres, orientando o governo federal na criação de políticas para as brasileiras. A ministra das Mulheres, Marcia Lopes, enfatizou que a conferência deve ser vista como um ponto de partida para a continuidade da mobilização por direitos e políticas públicas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br