O senador Fabiano Contarato (PT), recém-eleito presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, defende uma mudança na percepção sobre o posicionamento do campo progressista em relação à segurança pública. Para ele, é fundamental superar o “estigma” de que essa corrente política se dedica exclusivamente à defesa dos direitos humanos dos presos.
“Direitos humanos é muito amplo. Mas, durante muito tempo, ficou esse estigma de que nós defendemos pessoas que violaram qualquer âmbito criminal. É isso que tem que ser mudado”, afirmou o senador.
Contarato, que atuou como delegado da Polícia Civil por 27 anos, defende um tratamento mais rigoroso para adolescentes que cometem crimes graves. Ele critica a política de saídas temporárias para presos condenados por crimes contra a vida e não descarta a possibilidade de equiparar facções criminosas a organizações terroristas.
“Passou da hora de o campo progressista começar a falar com responsabilidade, com os pés no chão e sem romantizar essa área, para dar uma resposta à sociedade”, ressaltou.
O senador, eleito em 2018 pelo partido Rede e filiado ao PT desde 2022, assegura que trabalhará para evitar que a CPI se torne palco de disputas eleitorais. Ele enfatiza a importância de um trabalho técnico e objetivo, focado na busca por soluções para o combate ao crime organizado.
Ao comentar sobre o Projeto de Lei (PL) de sua relatoria que aumenta a pena mínima para adolescentes infratores em casos de crimes graves, Contarato citou o caso de um jovem que, aos 16 anos, matou quatro pessoas em uma escola no Espírito Santo. Ele argumenta que o Brasil é um dos países mais permissivos do G20 em relação a adolescentes infratores.
Contarato defende que a defesa dos direitos humanos deve ser estendida a todas as vítimas da violência, incluindo familiares de policiais mortos em confrontos e órfãos de feminicídio. Ele também ressalta a importância de combater a corrupção, que causa prejuízos à saúde e à educação.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br