PUBLICIDADE

© Fundação Casa de Rui Barbosa
© Fundação Casa de Rui Barbosa

Moçambique e Brasil compartilham desafios na luta contra a violência de gênero, especialmente nas áreas periféricas. A ativista moçambicana Énia Lipanga destaca que, em seu país, a aceitação da violência por mulheres é influenciada por normas culturais ancestrais, como o ditado “Um homem que não te bate não te ama”, ainda presente em áreas rurais. Ela enfatiza a necessidade de combater normas culturais nocivas que ferem a dignidade humana.

Segundo a escritora, a falta de acesso à educação formal agrava a situação das mulheres em zonas rurais de Moçambique, onde a violência é frequentemente confundida com cultura. A literatura, no entanto, pode ser um elo entre os dois países, como demonstra o livro “O Crime do Cais do Valongo”, que retrata personagens e cenários moçambicanos sem que a autora tenha visitado o país.

Lipanga expressa admiração pela luta feminista negra no Brasil, mencionando Djamila Ribeiro como inspiração e reconhecendo a importância de referências externas adaptadas ao contexto moçambicano. A violência, em suas diversas formas, é um tema recorrente em sua obra, refletindo as experiências das mulheres moçambicanas.

Questões como essas serão abordadas na primeira edição da Roda Transatlântica – Mulher, Literatura e Violência, realizada na Casa de Rui Barbosa. O evento reunirá Énia Lipanga e Dani Balbi, deputada estadual e defensora dos direitos LGBTQIAPN+, com mediação de Carla Santos, pesquisadora em Literaturas Africanas.

O objetivo do encontro é criar um espaço de diálogo entre escritoras que transformam suas vivências em literatura e ação política, fortalecendo redes de apoio, inclusão e criação. Lipanga ressalta a importância da troca de informações com o Brasil e a oportunidade de debater ao lado de Dani Balbi, destacando o compromisso de ambas com a transformação social.

Dani Balbi abordará a violência praticada pelo Estado contra mulheres no sistema penitenciário, tema central de sua obra “Mãe Preta Reincidente”. A parlamentar acredita no poder da arte para conscientizar sobre os males da violência de gênero, destacando a importância de combater as diversas formas de violações que impactam a emancipação e a vida das mulheres.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Destaques Alagoas em Dia

Relacionadas

Menu