A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém foi palco de intensos protestos. Indígenas realizaram manifestações na Zona Azul, reivindicando a demarcação de terras, apoio aos guarani kaiowá e o fim da mineração promovida por empresas canadenses em diversos países, incluindo o Brasil.
O protesto ocorreu durante a retomada das negociações, após um incêndio que atingiu parte dos pavilhões dos países na quinta-feira (21), também na Zona Azul. Os manifestantes, entoando cânticos, percorreram o corredor central, atraindo a atenção de negociadores e observadores. Eles exibiam cartazes pedindo a saída das empresas canadenses e a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que prevê a privatização de empreendimentos públicos federais do setor hidroviário nos rios Madeira, Tocantins e Tapajó. A ação ocorreu após a Plenária dos Povos, organizada pela rede Climate Action Network – International.
A COP30 reuniu cerca de 50 mil pessoas, incluindo representantes de comunidades tradicionais, agricultores, indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Entre as diversas manifestações, os participantes demandaram maior participação nos espaços de decisão. No início da conferência, indígenas munduruku chegaram a entrar na Zona Azul, mas foram retirados pela segurança. Eles protestavam contra a privatização de empreendimentos no Rio Tapajós e a construção da Ferrogrão. Lideranças munduruku foram posteriormente recebidas pelo presidente da COP30.
A Cúpula dos Povos, realizada paralelamente à COP30, reuniu cerca de 20 mil pessoas de 1,3 mil movimentos sociais para discutir e apresentar demandas. Uma barqueata com mais de 200 embarcações marcou a abertura. Integrantes criticaram a ausência de maior participação popular na COP30 e defenderam a Palestina. Um ato no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) promoveu o “Funeral dos Combustíveis Fósseis”. A Marcha Mundial pelo Clima reuniu cerca de 70 mil pessoas. Povos indígenas de todos os países da América do Sul integraram a marcha, pedindo o respeito aos seus direitos e a demarcação de territórios.
O Tribunal Autônomo e Permanente dos Povos contra o Ecogenocídio divulgou uma sentença que condena Estados e grandes empresas por violações contra povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e a natureza. A Declaração Final da Cúpula dos Povos classificou como “falsas soluções” as medidas apresentadas para o enfrentamento da emergência climática, apontando o modo de produção capitalista como causa principal da crise. O cacique Raoni Metuktire encorajou os participantes a continuar a luta.
A AldeiaCOP abrigou cerca de três mil pessoas, com apresentações, feira de bioeconomia, debates e uma casa espiritual. Uma marcha pelas ruas da capital paraense cobrou punição pelo assassinato de Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br