A Paraíba enfrenta uma escalada de violência impulsionada por um conflito entre facções criminosas. Uma operação recente resultou na prisão de 24 pessoas e no bloqueio de aproximadamente R$ 125 milhões ligados ao Comando Vermelho (CV) no estado. As investigações da Polícia Civil revelam que a organização, originária do Rio de Janeiro, estabeleceu-se na Paraíba a partir de uma dissidência de um grupo local, a Okaida.
Atualmente, o Comando Vermelho e a Okaida travam uma disputa acirrada pelo controle territorial e pelo monopólio do tráfico de drogas. A Polícia Civil aponta que essa rivalidade é a principal causa do aumento significativo no número de mortes violentas no estado, com um crescimento de quase 400% em 2023, especialmente na região da Grande João Pessoa.
A presença do Comando Vermelho se concentra principalmente em Cabedelo, Campina Grande e Bayeux. O líder da facção na Paraíba é Flávio de Lima Monteiro, conhecido como “Fatoka”, que permanece foragido e possui diversos mandados de prisão em aberto.
As investigações revelaram que o grupo criminoso monitorava as ações policiais por meio de um sistema de câmeras de segurança, com os principais líderes acompanhando as operações a distância, diretamente do Rio de Janeiro.
A origem do Comando Vermelho na Paraíba está ligada à história da própria Okaida, que surgiu entre 2005 e 2006 dentro do sistema prisional, estabelecendo inicialmente uma aliança com o Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo. Essa parceria foi desfeita em 2010, levando a Okaida a se aproximar do Comando Vermelho e do Sindicato do Crime (SDC) do Rio Grande do Norte.
Cisão interna e novas alianças marcaram a trajetória da Okaida, até que dirigentes foram cooptados pelo Comando Vermelho do Rio de Janeiro.
Um exemplo da tentativa de demonstração de poder do Comando Vermelho na Paraíba é o caso da queima de um ônibus em João Pessoa, em julho de 2023. O objetivo era culpar falsamente a Nova Okaida pelo ataque, visando prejudicar a liderança da facção rival.
O monitoramento remoto da polícia, feito por meio de câmeras instaladas em postes, árvores e residências em Cabedelo, permitia que a facção antecipasse ações policiais e monitorasse grupos criminosos rivais.
Fonte: jornaldaparaiba.com.br