Se vivo, John Lennon completaria 85 anos. Imaginava-se o músico, talvez, relembrando a trajetória com os Beatles e Yoko Ono em uma casa na Irlanda, ou ainda criando e gravando canções no apartamento do Dakota, em Nova York.
A morte interrompeu sua jornada aos 40 anos, na noite de 8 de dezembro de 1980. Lennon acabara de gravar um álbum com composições próprias e de Yoko, celebrando o idealismo do casal que, anos antes, usou o leito nupcial como palco para um apelo global pela paz.
Os Beatles, para alguns, foram a maior criação de Lennon, superando suas composições, o engajamento político do final dos anos 60 e a fusão de rock com elementos de vanguarda. O grupo representou um canal para expressar as dores da infância e adolescência, traduzidas na canção “Mother”, com sua melodia repetitiva, letra concisa e gritos primais.
Liderados por Lennon, os Beatles surgiram no final dos anos 50. Paul McCartney e George Harrison, também de Liverpool, compartilhavam a paixão pelo rock’n’roll americano de Elvis Presley. Ringo Starr se juntou em 1962, pouco antes da gravação do primeiro disco.
Na época, era difícil prever que aqueles jovens se tornariam o maior grupo de rock da história, influenciando a música popular e o comportamento da juventude. Lennon, no entanto, pressentiu que o rock seria moldado pelos Beatles. A persistência de seu repertório e a memória viva do que representaram confirmam essa intuição.
Apesar de não ser o músico mais virtuoso dos Beatles, título geralmente atribuído a Paul McCartney, Lennon foi a figura central do quarteto. De bad boy do rock primitivo, influenciado por Bob Dylan, passou a letrista que expressava suas angústias.
Aos 25 anos, compôs “In My Life”, com a perspectiva de um homem mais velho revendo os amores, amigos e lugares marcantes de sua vida. Rock, política, religião, drogas e arte de vanguarda se misturavam no artista que amadureceu rapidamente e encontrou em Yoko Ono a parceira ideal para ousadias inéditas no rock.
“Strawberry Fields Forever”, de 1966/67, demonstra o ápice da criatividade dos Beatles. A melodia enigmática, a letra inspirada na infância em Liverpool e o arranjo de George Martin revelam Lennon em seu melhor.
“John Lennon/Plastic Ono “, de 1970, é considerado um dos grandes álbuns do rock. A crueza das melodias, a concisão das letras, os arranjos minimalistas, o grito primal e os temas cruciais que afligiam o artista e sua geração o marcaram.
Após a separação dos Beatles, nenhum dos integrantes produziu algo semelhante. Em “God”, Lennon negava tudo e todos: religião, mitos, heróis, ídolos. Elvis, Dylan, Beatles – ninguém escapava. A frase “o sonho acabou” se tornou emblemática para uma geração, refletindo o fim das esperanças idealistas dos anos 60.
Os Beatles permaneceram juntos por sete anos, de 1962 a 1969. A carreira solo de Lennon durou apenas cinco, de 1970 a 1975. Seguiram-se cinco anos de reclusão. O retorno com o álbum “Double Fantasy” foi abruptamente interrompido com o assassinato em frente ao edifício Dakota. Ao ouvir suas canções, revive-se a trajetória de um artista que desejava, na velhice, juntar os recortes de sua vida, à beira do mar da Irlanda.
Nesta quinta-feira, [Data], Sean Lennon completa 50 anos. Também será lançada a caixa “Power to the People”, explorando os trabalhos de John e Yoko durante o período em que viveram em Nova York.
Fonte: jornaldaparaiba.com.br