Em discurso durante a abertura do Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que os países priorizem a inclusão dos mais pobres em seus orçamentos. Para Lula, essa ação não deve ser vista como assistencialismo, mas como uma política de Estado.
“É preciso colocar os pobres no orçamento e transformar esse objetivo em política de Estado, para evitar que avanços fiquem à mercê de crises ou marés políticas. Mesmo líderes de países com orçamentos pequenos podem e precisam fazer essa escolha”, afirmou o presidente.
Lula também mencionou o anúncio da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sobre a saída do Brasil do Mapa da Fome. Ele ressaltou que 30 milhões de brasileiros voltaram a ter acesso regular à alimentação e que o país alcançou, no mesmo período, a menor proporção de domicílios com crianças menores de 5 anos em situação de insegurança alimentar grave.
“Um país soberano é um país capaz de alimentar o seu povo. A fome é inimiga da democracia e do pleno exercício da cidadania. É possível superá-la por meio de ação governamental, mas governos só podem agir se dispuserem de meios”, avaliou Lula.
O presidente defendeu a ampliação do financiamento ao desenvolvimento, a redução dos custos de empréstimos, o aperfeiçoamento dos sistemas tributários e o alívio das dívidas dos países mais pobres como medidas cruciais para combater a fome. Ele enfatizou a importância da distribuição de alimentos e defendeu uma reforma da arquitetura financeira internacional para direcionar recursos para quem mais precisa.
Lula também apontou o paradoxo da América Latina e do Caribe, regiões celeiro do mundo que ainda enfrentam a fome, e o aumento da insegurança alimentar na África, apesar do crescimento econômico.
Anteriormente, o presidente Lula se reuniu com o papa Leão XIV e o parabenizou por sua mensagem de preocupação com os mais pobres. Lula afirmou que é necessário criar um movimento de indignação contra a desigualdade e que o documento do papa é uma referência importante que precisa ser lida e praticada por todos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br