O metanol importado por organizações criminosas para adulterar combustíveis pode ter sido desviado para a produção de bebidas clandestinas, o que poderia explicar os recentes casos de intoxicação em São Paulo. A afirmação foi feita por um representante da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).
Este desvio teria se intensificado após uma operação da Receita Federal, que desmantelou um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. A ação paralisou empresas e transportadoras ligadas ao crime, levando ao escoamento de produtos para outras empresas, incluindo destilarias clandestinas. O objetivo seria aumentar o volume e a escala de produção, sem considerar os riscos à saúde.
O setor de bebidas foi o mais afetado pelo mercado ilegal em 2024, com perdas estimadas em R$ 88 bilhões, conforme o Anuário da Falsificação da ABCF 2025. Desse total, R$ 29 bilhões correspondem à sonegação de impostos e R$ 59 bilhões à perda de faturamento das indústrias legalizadas.
A operação da Receita Federal atingiu cerca de mil postos de combustíveis ligados ao grupo criminoso, com movimentação de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Segundo a Receita, o metanol importado era desviado para a fabricação de gasolina adulterada.
Desde junho, foram confirmados seis casos de intoxicação por metanol em São Paulo, relacionados ao consumo de bebidas adulteradas. Outros dez casos estão sob investigação, com três mortes confirmadas.
As autoridades sanitárias recomendam que bares, empresas e a população redobrem a atenção com a procedência das bebidas, adquirindo apenas produtos de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal. O consumo de bebidas de origem duvidosa representa risco à saúde devido à presença de substâncias tóxicas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br