Uma operação recente da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) atingiu o núcleo de um esquema criminoso que, por anos, permitiu o desconto ilegal de mensalidades associativas de milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o Brasil. A ação prendeu figuras consideradas chave no esquema.
Entre os desdobramentos da operação está a prisão do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Procurador federal de carreira, ele liderou a Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS entre 2011 e 2017 e assumiu a presidência da autarquia em julho de 2023, sendo posteriormente afastado do cargo por decisão judicial e exonerado após a primeira fase da Operação Sem Desconto, em abril deste ano.
A investigação apura um esquema de desvios de recursos do INSS, com indícios de envolvimento de servidores públicos e outros agentes.
A operação também atingiu o ex-ministro do Trabalho e Previdência Social do governo anterior, José Carlos Oliveira, o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG) e o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSS-MA). Pettersen é investigado por supostamente ter vendido um avião a uma das entidades associativas investigadas, enquanto Araújo é vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA).
Investigações apontam que o escritório de advocacia de Eric Douglas Martins Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis, recebeu cerca de R$ 5,1 milhões de dirigentes de entidades investigadas no âmbito da Operação Sem Desconto.
Há ainda outros parlamentares sob investigação por suspeitas de envolvimento com a fraude das mensalidades associativas. Os responsáveis pelo esquema seriam divididos em três escalões: políticos que teriam recebido pagamentos, servidores públicos que mantinham os desvios, e operadores que realizavam os saques e o desvio direto do dinheiro.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br