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© Augusto Cataldi/Ascom OCC
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A música como refúgio e transformação. Para Callyandra Santos, 17 anos, os sons dos tiros no Coque, região periférica do Recife, eram abafados pelos acordes imaginários do violoncelo. Aos 9 anos, ela ingressou na Orquestra Criança Cidadã, um projeto que já impactou a vida de mais de mil crianças e adolescentes da comunidade, que em 2006 detinha o menor IDH da capital pernambucana.

Agora, Callyandra e outros dez jovens da orquestra embarcam em uma turnê internacional, levando sua arte para a Ásia e a Europa. O grupo se unirá a músicos de regiões em conflito, como palestinos, israelenses, ucranianos, russos e representantes das duas Coreias, em um projeto batizado de “Concerto pela Paz”.

A turnê terá início em Seul, Coreia do Sul, no dia 30. Em seguida, o grupo se apresentará em Hiroshima e Osaka, no Japão, nos dias 4 e 5 de outubro. A jornada culminará em Roma, com uma apresentação no dia 7, e no Vaticano, no dia 8, onde tocarão para o Papa.

A história de Callyandra é um exemplo de superação. Sua mãe, Sara Coutinho, 47 anos, trabalha em uma fábrica para sustentar a família e encontra alívio nos ensaios da filha. O incentivo familiar também veio do primo, Davi Andrade, 26 anos, ex-aluno da orquestra e hoje professor de música, que também participa da turnê. Callyandra planeja seguir os passos do primo e cursar música na universidade.

Davi recorda que aprendeu a tocar violoncelo ainda criança, no quartel do Exército, parceiro do projeto. Aos 19 anos, tornou-se professor da orquestra em Igarassu, ensinando música para jovens trabalhadores rurais. Ele enfatiza a importância da solidariedade entre alunos e mestres para superar as dificuldades.

O repertório do concerto incluirá músicas de diversas nacionalidades, incluindo o frevo e outros clássicos brasileiros. A iniciativa, criada há 19 anos pelo juiz João Targino, visa oferecer oportunidades a jovens em áreas de vulnerabilidade.

Entre os participantes da turnê está o contrabaixista Antonino Tertuliano, 32 anos, ex-aluno da orquestra que hoje reside na Alemanha e integra a Niederbayerische Philharmonie Orchester. Ele retorna ao Brasil para incentivar os jovens músicos.

Cleybson da Silva, 21 anos, violoncelista e estudante de música, perdeu a mãe para a Covid em 2020. Seu pai, Clayton Oliveira, 44 anos, relata que a orquestra transformou a comunidade. O filho mais novo, Bernardo, de 7 anos, também integra o projeto.

Ana Clara Gomes, 17 anos, apaixonada pela viola, usava uma caixa de sabão em pó para simular o instrumento. Pedro Martins, 21 anos, violinista, também utilizava a caixa de sabão em pó e um lápis para treinar. O pai, George Silva, 41 anos, relembra os tempos em que o filho transformava a sala de casa em um palco. A música, para esses jovens, representa um futuro promissor, distante da violência e das dificuldades do Coque.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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