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© Tomaz Silva/Agência Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil

A Operação Contenção, realizada pelas polícias Civil e Militar no Rio de Janeiro, resultou em mais de 120 mortes na capital. Grupos de direitos humanos e ONGs que monitoram a segurança pública questionam os métodos e os resultados da ação.

Para a diretora executiva do Instituto Sou da Paz, a operação reproduziu uma lógica de combate ao crime organizado por meio de ações violentas, que geram caos e violência em comunidades vulneráveis, sem atingir o núcleo do problema. A ação também teria descumprido medidas estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para políticas de segurança pública no estado.

A falta de planejamento foi outro ponto criticado, incluindo o deslocamento de policiais inexperientes para ações ostensivas complexas e a ausência de respeito aos direitos básicos. A análise de cada caso de morte seria necessária para entender a situação, mas a operação, de forma geral, violaria preceitos da ADPF 635. A falta de investimento em impedir a chegada de armamentos pesados e em atacar as fontes de recursos das facções também foram mencionadas como falhas.

Um pesquisador ligado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontou que a opinião pública começa a perceber que os erros da operação vão além da quantidade de mortos, algo que já estaria previsto. Ele relacionou a violência policial com a corrupção na corporação, afirmando que “a polícia muito letal é também uma polícia muito corrupta”.

Corpos enfileirados foram vistos em comunidades, intensificando o sentimento de insegurança dos moradores. O pesquisador questionou o término abrupto da operação e alertou para possíveis consequências, como a tomada de territórios por outras facções.

A diretora-executiva da ONG Justiça Global, que esteve nos complexos da Penha e do Alemão, classificou a operação como um massacre e denunciou violações de direitos humanos. Moradores relataram que foram obrigados a recolher corpos, e parte dos mortos foram encontrados com braços e pernas amarrados, indicando possíveis execuções.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro repudiou as ações policiais e pediu respeito aos direitos fundamentais e à dignidade da pessoa humana. A Comissão de Segurança Pública da OAB de São Paulo criticou os ataques à ADPF 635 e pediu investigação rigorosa da operação e revisão urgente das estratégias de segurança pública.

O diretor da Human Rights Watch (HRW) no Brasil também pediu atuação do Ministério Público Estadual na investigação das mortes e apuração do planejamento da operação, afirmando que “a sucessão de operações letais que não resultam em maior segurança para a população, mas que na verdade causam insegurança, revela o fracasso das políticas do Rio de Janeiro”.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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