O Brasil lidera o ranking de países com mais casos de ansiedade na América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre jovens, a situação é ainda mais preocupante, com um em cada cinco sofrendo algum tipo de transtorno mental. Especialistas apontam o uso excessivo de telas, o bullying e a pressão por padrões de beleza e sucesso nas redes sociais como principais causas.
O Ministério da Saúde define adolescência entre 10 e 19 anos, e juventude entre 15 e 24 anos. Dados do Ministério revelam um aumento superior a 1.500% nos atendimentos do SUS por transtornos de ansiedade em adolescentes de 10 a 14 anos entre 2014 e 2024. Na faixa etária de 15 a 19 anos, o crescimento foi superior a 3.000% no mesmo período. Um estado registrou 1.554 atendimentos de jovens por violência autoprovocada ou tentativa de suicídio nos últimos dois anos, equivalente a dois casos por dia.
O tempo excessivo conectado e a comparação constante têm alterado o comportamento e a autoestima de adolescentes, interferindo no sono e no rendimento escolar, contribuindo para a deterioração da saúde mental.
O psicólogo Filipe Colombini alerta que o uso excessivo de telas afeta o comportamento e o desenvolvimento emocional, gerando dependência, impulsividade e reduzindo a criatividade. Uma pesquisa recente indica que 92% dos jovens brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet. O contato com as redes sociais expõe o adolescente a comparações e conteúdos inadequados, criando bolhas e reforçando padrões que podem gerar baixa autoestima, isolamento e transtornos alimentares.
Um guia do Governo Federal de 2025 recomenda que crianças menores de 2 anos não utilizem telas, exceto para videochamadas com supervisão. Antes dos 12 anos, não é recomendado o uso de smartphones próprios. O acesso a redes sociais deve respeitar a faixa etária indicada, com acompanhamento de familiares ou educadores durante a adolescência.
Colombini destaca a importância da proximidade dos pais durante a adolescência para identificar sinais de alerta como mudanças de humor, irritação e isolamento. Acolher os sentimentos dos filhos e impor limites são igualmente importantes.
Serviços públicos de saúde oferecem atendimento gratuito para quem enfrenta sofrimento emocional ou transtornos mentais, incluindo centros de referência, CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), atendimento de urgência em hospitais, centros de práticas integrativas e o CVV (Centro de Valorização da Vida), que oferece apoio emocional gratuito e anônimo pelo telefone 188.
Fonte: jornaldaparaiba.com.br