A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deu início, nesta terça-feira (11), às alegações finais dos advogados dos dez réus do chamado Núcleo 3, no âmbito do julgamento da trama golpista. A investigação aponta para um plano liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022.
O Núcleo 3 é composto por nove militares do Exército e um policial federal. Eles respondem por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio tombado.
Entre os réus estão: Bernardo Romão Correa Netto (coronel), Estevam Theophilo (general), Fabrício Moreira de Bastos (coronel), Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel), Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel), Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel), Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel), Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel), Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel) e Wladimir Matos Soares (policial federal).
Os acusados são conhecidos como “kids pretos”, militares que integraram o grupamento de forças especiais do Exército. A Procuradoria Geral da República (PGR) os acusa de planejar ações táticas para concretizar o plano golpista, incluindo o sequestro do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Durante as sustentações, a defesa do general da reserva do Exército Estevam Theophilo solicitou a absolvição do militar, argumentando que ele não teve envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023 nem no plano para usar os “kids pretos” para impedir a posse do presidente Luiz Inacio Lula da Silva.
As investigações indicam que Theóphilo se reuniu três vezes com Bolsonaro no final de 2022, onde teriam sido discutidas a utilização de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ou a decretação de Estado de Defesa ou de sítio no país. Na época, Estevam Theóphilo era responsável pelo Comando de Operações Terrestres (Coter), a tropa de elite do Exército.
O advogado Diego Rodrigues Musy alegou que os encontros de Theófilo com Bolsonaro ocorreram com o conhecimento do então comandante do Exército, Freire Gomes. O defensor também ressaltou que o general não teve contato com outros acusados pela trama golpista, não participou de “movimentos de resistência contra as urnas” ou incitou contra os poderes.
O julgamento prossegue com as defesas dos demais réus. A PGR já solicitou a condenação dos acusados.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br