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© Fernando Frazão/Agência Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil

A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) tem se destacado na discussão sobre a importância do acompanhamento da trajetória de ex-alunos cotistas, visando avaliar a efetividade das políticas de ação afirmativa. Essa iniciativa é vista como crucial para entender se as cotas, implementadas há duas décadas, estão de fato cumprindo seu papel na redução das desigualdades sociais e no acesso ao mercado de trabalho. A análise das experiências dos egressos, desde a graduação até a pós-graduação, oferece um panorama completo sobre os desafios enfrentados e os resultados alcançados por esses indivíduos, permitindo ajustes e aprimoramentos nas políticas de cotas existentes.

A Importância do Monitoramento de Egressos Cotistas

O acompanhamento da trajetória dos ex-alunos cotistas é fundamental para mensurar o impacto real das políticas de ação afirmativa.

Avaliação da Eficácia das Cotas

O sociólogo Luiz Augusto Campos, pesquisador na área, enfatiza que a Lei de Cotas é um instrumento para promover a igualdade, e seu sucesso depende da capacidade de gerar resultados concretos fora do ambiente acadêmico. Se os cotistas não conseguirem se inserir no mercado de trabalho e ascender socialmente, a política de cotas falha em seu propósito.

Identificação de Desafios e Barreiras

O monitoramento permite identificar os obstáculos que os egressos enfrentam após a formatura, como dificuldades na busca por emprego, discriminação racial e limitações socioeconômicas. Essas informações são valiosas para orientar a criação de programas de apoio e políticas públicas que promovam a inclusão e o desenvolvimento profissional dos ex-cotistas.

Desafios na Pós-Graduação e a Necessidade de Revisão

A Uerj, pioneira na adoção de cotas, enfrenta o desafio de atualizar sua legislação para garantir o acesso à pós-graduação.

Critério Socioeconômico Restritivo

A legislação da Uerj estabelece um limite de renda familiar per capita de R$ 2.277 para o ingresso nas cotas sociais e raciais da pós-graduação. Esse valor é considerado baixo e impede que muitos estudantes carentes, que poderiam se beneficiar da política, tenham acesso ao mestrado e doutorado.

Impacto nas Titulações de Negros e Indígenas

Dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) revelam que a participação de negros e indígenas na pós-graduação ainda é muito baixa. Em 2021, apenas 4,1% dos mestres e 3,4% dos doutores eram pretos, enquanto os pardos representavam 16,7% e 14,9%, respectivamente. Os indígenas somavam apenas 0,23% das titulações de mestrado e 0,3% das de doutorado no país.

Propostas de Alteração na Legislação

Diante desse cenário, especialistas defendem a revisão da Lei 8.121/2018, que estabelece as ações afirmativas na Uerj e o corte socioeconômico. Enquanto a revisão não ocorre, a sugestão é que as universidades utilizem sua autonomia para flexibilizar os critérios de ingresso nos editais de pós-graduação, garantindo maior inclusão e diversidade no ensino superior.

Conclusão

O monitoramento da trajetória de ex-alunos cotistas é essencial para avaliar o impacto das políticas de ação afirmativa e garantir que elas cumpram seu papel na redução das desigualdades sociais. A Uerj, como pioneira na implementação de cotas, tem a responsabilidade de aprimorar sua legislação e seus programas de apoio, visando garantir o acesso e o sucesso dos estudantes cotistas em todas as etapas de sua formação acadêmica e profissional.

FAQ

1. Por que é importante monitorar a trajetória dos ex-alunos cotistas?

O monitoramento permite avaliar se as políticas de cotas estão cumprindo seu objetivo de reduzir as desigualdades e promover a inclusão no mercado de trabalho.

2. Qual o principal desafio enfrentado pela Uerj em relação às cotas na pós-graduação?

O principal desafio é o critério socioeconômico restritivo, que impede que muitos estudantes carentes tenham acesso ao mestrado e doutorado.

3. O que pode ser feito para melhorar o acesso de negros e indígenas à pós-graduação?

É necessário revisar a legislação da Uerj e flexibilizar os critérios de ingresso nos editais, garantindo maior inclusão e diversidade no ensino superior.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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