A equipe do Fantástico adentrou o Irã em meio a um cenário de guerra, registrando os impactos devastadores dos bombardeios e as severas restrições civis no país. Apenas três equipes de mídia estrangeira, incluindo a TV Globo, tiveram permissão para circular, destacando o controle rigoroso sobre a imprensa internacional.
O acesso ao Irã já era desafiador, com a equipe cruzando cerca de 300 quilômetros pela Turquia, enfrentando montanhas cobertas de neve até chegar à fronteira. Após uma longa espera em um posto de controle, a entrada foi finalmente liberada, mas com diretrizes estritas: não sair do carro e não filmar durante o trajeto até Teerã.
Funerais e mobilização nas ruas
Na capital, a equipe acompanhou o funeral de um general da Marinha iraniana, que morreu em um ataque no Estreito de Ormuz. A cerimônia atraiu uma multidão, onde um jovem expressou sua indignação contra os Estados Unidos, afirmando que o povo apoia seu governo e militares. A presença de forças de segurança era constante, com agentes monitorando a gravação da equipe.
Relatos indicam que o avanço educacional tem proporcionado maior protagonismo feminino, mesmo em um ambiente de tradições religiosas rígidas. Jovens universitárias e mulheres de gerações anteriores coexistem nas ruas, refletindo as tensões sociais em meio à guerra.
Bombardeios e destruição
A equipe visitou áreas devastadas por mísseis, incluindo prédios onde um professor universitário ligado ao programa nuclear iraniano foi morto. As autoridades dos EUA e de Israel acusam o Irã de enriquecer urânio para fins bélicos, enquanto o governo iraniano nega essas alegações.
Moradores descreveram os ataques como repentinos e devastadores, com um deles relatando que 25 mortos foram contabilizados, mas muitos ainda permanecem desaparecidos. Em outro incidente, uma ponte em construção foi alvo de dois ataques, resultando na morte de oito trabalhadores.
Protestos e a luta pela saúde
Após ataques a hospitais e ambulâncias, médicos organizaram protestos, destacando que mais de 300 unidades de saúde foram atingidas. Durante uma manifestação, uma médica enfatizou que a proteção da vida humana é um direito universal que não pode ser violado.
Versão oficial e disputa de narrativas
A presença constante de imagens dos aiatolás reflete o controle social no Irã, onde o regime é marcado por repressão a protestos e censura à imprensa. Enquanto autoridades afirmam que a crise econômica gerou violência, organizações independentes contestam os números oficiais sobre mortes em protestos.
Apesar da guerra, a população tenta manter a rotina. Em parques de Teerã, famílias fazem piqueniques, enquanto à noite, manifestações contra inimigos externos tomam as ruas. Um pesquisador presente nos atos declarou: “Não temos medo. Estamos aqui para apoiar o nosso país.”
Na última noite da equipe em Teerã, o prazo dado pelos EUA para intensificação dos ataques expirou sem novos bombardeios, e um cessar-fogo foi anunciado, sinalizando um possível início de negociações.
Fonte: g1.globo.com