A sobrecarga materna, o preço atraente e até componentes afetivos são alguns dos fatores sociais que impulsionam o consumo de alimentos ultraprocessados por crianças em comunidades urbanas de diferentes cidades brasileiras, segundo pesquisa divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O estudo entrevistou cerca de 600 famílias de três comunidades urbanas do país: Guamá, em Belém (PA); Ibura, em Recife (PE); e Pavuna, no Rio de Janeiro (RJ).
Produtos ultraprocessados mais presentes nas casas
Os produtos ultraprocessados mais presentes nas casas foram iogurte com sabor, embutidos, biscoito recheado, refrigerante e macarrão instantâneo.
O que são ultraprocessados?
Os ultraprocessados são produtos alimentícios de origem industrial, resultantes da mistura de ingredientes naturais com aditivos químicos, como corantes, aromatizantes e emulsificantes.
Efeitos à saúde
Evidências científicas mostram que o consumo de ultraprocessados aumenta o risco de doenças como obesidade, diabetes, problemas cardíacos, depressão e câncer.
Sobrecarga materna
Nas famílias ouvidas pela pesquisa, 87% das mães exerceram a tarefa de comprar e servir o alimento às crianças, e 82% delas também foram responsáveis pela preparação.
Desconhecimento sobre ultraprocessados
Outro ponto destacado pela pesquisa é o desconhecimento sobre os produtos ultraprocessados. Muitos alimentos foram apontados como saudáveis, mesmo se enquadrando nessa categoria.
Preço baixo influenciando no consumo
A percepção de preço também pode influenciar no consumo. A maioria das famílias considera que alimentos ultraprocessados são mais baratos do que opções saudáveis.
Recomendações do estudo
Entre as recomendações do estudo estão o fortalecimento da regulação de alimentos ultraprocessados e a expansão de creches e escolas em tempo integral para promover uma alimentação saudável.
Fortalecer a regulação de alimentos ultraprocessados: avançar na regulação da publicidade infantil, na tributação de ultraprocessados e na promoção de ambientes escolares saudáveis, reduzindo a exposição e o consumo desses produtos.
Expandir creches e escolas em tempo integral para garantir acesso à alimentação saudável e reduzir o consumo de ultraprocessados.