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Nos próximos anos, o preço do café no Brasil deve apresentar variações significativas, influenciadas por fatores climáticos e pela produção. Embora a expectativa de uma safra maior em 2026 traga esperança de alívio para os consumidores, economistas alertam que os preços dificilmente retornarão aos níveis de seis anos atrás.

Safra de café e suas implicações econômicas

O Brasil, um dos maiores produtores de café do mundo, deve colher uma safra recorde neste ano, com estimativas apontando para 75,6 milhões de sacas de 60 quilos. Essa expectativa é otimista, especialmente em comparação com a previsão do governo federal, que estima 66,2 milhões de sacas.

A alta na produção pode ajudar a conter a inflação, que atualmente apresenta um aumento de 0,54% no preço do café moído ao consumidor. Apesar disso, o preço médio do quilo do café tradicional, que era de R$ 16,45 em 2020, saltou para cerca de R$ 63,69 atualmente, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Desafios climáticos e suas consequências

Problemas climáticos têm impactado a produção de café nos últimos anos. Fenômenos como secas e geadas entre 2021 e 2024 reduziram a oferta, pressionando os preços para cima. A previsão de um El Niño forte no segundo semestre de 2026 pode trazer mais incertezas, alterando a distribuição das chuvas e afetando o desenvolvimento das lavouras.

O economista André Braz, do FGV Ibre, destaca que a cultura do café é bianual, o que significa que a produção pode variar significativamente de um ano para outro. A combinação de fenômenos climáticos e a bienalidade podem resultar em colheitas irregulares, dificultando a recuperação dos estoques e a estabilização dos preços.

Expectativas para os preços do café

Apesar da expectativa de uma safra maior, a queda nos preços do café pode ser um processo gradual. Gil Barabach, analista do Safras & Mercado, ressalta que a continuidade da queda de preços dependerá da recomposição da produção e dos estoques. Mesmo que a inflação do café moído tenha registrado uma queda de 3,6% em 2025, isso ainda não é suficiente para reverter os altos preços acumulados nos últimos anos.

Barabach também observa que a recuperação dos preços a níveis anteriores não dependerá apenas da produção brasileira, mas também da situação de outros países produtores. A inflação acumulada desde 2020 diminui o poder de compra da população, tornando improvável que os preços voltem aos patamares de seis anos atrás.

Conclusão: um futuro incerto para o café

As expectativas para o preço do café até 2026 são marcadas por incertezas. Embora a safra maior possa oferecer um alívio temporário aos consumidores, os desafios climáticos e a inflação acumulada indicam que os preços podem permanecer elevados. A situação requer monitoramento constante e estratégias eficazes para garantir a estabilidade do mercado.

Fonte: g1.globo.com

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